estava aqui a pensar em escrever-te uma carta de amor. daquelas bem ridículas tal como as designou o mestre da filosofia das cartas de amor. mas nisto deparei-me com o facto de ser extremamente difícil ser ridícula. é uma limitação quase certa. porque se eu te escrever qualquer coisa como: meu amor eu queria enfeitar o céu todo só para tu passares e seres à hora do crepúsculo aquela única estrela que pode iluminar-me... sendo que isto assim dito poderia não ter fim... bom se eu te escrevesse isto acho que não conseguiria ainda ser suficientemente ridícula. e de todo o modo é ridículo porque como poderias tu voar pelo céu à hora do crepúsculo sem imediatamente caíres submetido à força da gravidade? claro que posso acrescentar seres tu o único ser humano que conheço com asas e capaz de voar desafiando todas as probabilidades. ou seja o meu amor aquele que tudo pode na minha perspectiva. já estou entretanto a perceber que assim a carta começaria a ficar suficientemente ridícula para poder ser considerada uma carta de amor. o que só poderia levar-me a equilibrar as coisas até porque eu nunca quereria que desafiasses todas as probabilidades e pudesses magoar-te nesse tão lindo vôo a cruzar o luar até seres o único objecto visível para mim no firmamento. neste ponto começo a pensar que o mais ridículo de uma carta de amor é querer-te nela meramente invocado de forma humana e conseguir dizer-te alguma coisa importante porque realizável com a fantástica perturbação inerente a todo o estado amoroso. e agora... que estranho: até me parece que ser ridícula começa finalmente a ser fácil. basta dizer-te de modo muito claro: tu és o meu amor e por isso o meu olhar acompanha-te... e dizer-to fica tão mais ridículo simplesmente porque é possível. devo ainda acrescentar porque afinal as coisas do amor nunca são assim tão simples: podes entender por olhar o que nele quiseres ver. e enfim parece-me que consegui ser suficientemente ridícula para isto poder considerar-se uma carta de amor. falta o remate final: esta cartinha é para ti.
Mostrar mensagens com a etiqueta Escrita. Datas. Tu.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escrita. Datas. Tu.. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 4 de abril de 2011
domingo, 13 de março de 2011
13 de Março de 2011
não há muito a dizer acerca de mim
não há muito a dizer acerca de ti
há uma hipótese de eu ser borboleta
se tu rodares o botão do meu desejo
vejo...
não há muito a dizer acerca de ti
há uma hipótese de eu ser borboleta
se tu rodares o botão do meu desejo
vejo...
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
04 de Fevereiro de 2011
eram tantas horas e fiquei assim neste estado que é perto de ti como pássaro de olhar tímido encostado à sombra das árvores escassas nesse lugar mítico ardente queimado pelo sol imóvel que brota fosforescente ao meio-dia
serão poucas horas para estar contigo quando o inverno nos entrar gelado no corpo sem atingir o coração e quando a linha do teu rosto aparecer na minha mão e tudo se fizer nela meu desenho favorito
e quando partires saberei ver que às 3 da tarde o mundo é um grande cão raivoso tão negro como o céu nocturno de uma noite fechada aos sonhos
(respira voraz mas não me devora)
(respira voraz mas não me devora)
até que um beijo teu caia nas minhas mãos para eu voltar a colocar no firmamento mesmo ali ao lado dessa estrela invisível que é o amor
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
29 de Dezembro de 2010
Queria dizer-te tanto tanto e falar-te do impossível. Do quanto e do como te acompanho nas fracções de segundo ou do tanto que o instante muda se te vejo ou te não vejo aqui na distante proximidade onde habitamos uma dimensão fugaz que tento agarrar com as palavras escritas mas não-ditas solitárias à deriva no terno silêncio que desconhecemos tanto quanto o calor inventado logo pela manhã para criar a pequena ilusão que parece então aquele oxigénio único e respirável a guardar no frasco maior e mais resistente da doce compota dos sonhos que serve para barrar o pão que é o desejo imenso de te descobrir por entre a multidão... e ali estás tu não inventado mas existente por entre a penumbra da lucidez. À mesa espera por mim essa escrita objectiva a única capaz de esquartejar o ser mas que não te diz nem pode mostrar-te aos olhos ansiosos que querem ver-te por completo mais uma vez. O mundo não vai acabar e eu diria por vezes que ele não terá fim apenas para que possas existir todos os dias mais uma palavra-flecha que preenche o vazio do universo como se foras uma estrela da manhã e às vezes da noite também. Não posso fazer de ti todo um senso delicado neste lugar instável onde te toco com os dedos da imaginação. Mas posso fazer de ti constantemente um mar imenso que volta sempre para tocar o areal desértico do verbo por ti sem princípio nem fim.
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
08 de Setembro de 2010
Tu dizes coisas importantes. Eu oiço-as muito devagar. Pois é lentamente que bebo cada palavra tua e cada uma pára por instantes poisando na minha pele como se fosse uma carícia. E há palavras tuas importantes que se instalam à volta da minha garganta para me sufocarem no grande absurdo de uma suave agonia.
Cada detalhe na tua visão do mundo é como um sinal indecifrável inscrito no meu corpo. Não te conheço mas quando a noite cai...
...respiro-te.
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
22 de Julho 2010
Ao cair da tarde olhei inteiramente o mar quase o devorei com os olhos. Tão estranho estava inquietantemente plano.
Bem ao fundo na linha do horizonte no exacto ponto de formação do raio verde que ainda não vi descobri-te.
Tu estavas sim. Procuro agora saber o que és. Um tu que não conheço e no entanto invade o espaço circundante. Um tu que sempre espero presente ou ausente perpassa todo o tempo existente. O único tu que me devora no largo abraço que entrego ao mundo.
Na terra do maior desejo o longe é tão perto.
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
19 de Julho 2010
Deves imaginar comigo e pode ser a qualquer hora.
Tu estavas de um modo intermitente tu também não estavas. E eu sentia todo um mundo a recuperar depois de o ter guardado por entre as páginas de um livro... Todo um caminho amplo a percorrer calmamente navegando no espaço interior das tempestades. Abraçar azul e beber a tua essência que não está. Colher a tua existência incerta enfeitá-la com todas as flores inexistentes. Rir-me de mim mesma.
[Hoje a manhã surgiu com esplendor e a variedade do mundo surpreendeu o mais distraído. Estás certamente aí e vais em direcção a ti enquanto eu não estou e vou em direcção a mim.]
Lembro-me de ti quando não estou.
[Hoje a manhã surgiu com esplendor e a variedade do mundo surpreendeu o mais distraído. Estás certamente aí e vais em direcção a ti enquanto eu não estou e vou em direcção a mim.]
Lembro-me de ti quando não estou.
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
terça-feira, 13 de julho de 2010
13 de Julho 2010
Hoje tu continuas a não estar e o universo inteiro aguarda indiferente as minhas decisões. Entretanto enquanto a noite cai entorpecendo o olhar sobre os factos o meu coração bate como se tu não estares fosse uma fatalidade.
À volta das horas irrompendo por entre cada minuto que vem há outros que estão.
Outros. Inscrevo-me nos outros para confirmar que o vazio é apenas um espaço cuja linha muito ténue brinca com os meus cabelos para me perturbar. Tu não estares é um vazio e uma perturbação mas não brincas com os meus cabelos.
...e o vento sopra para me consolar...
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
09 Julho 2010
Naquele dia uma brisa leve e serena soprava revolvendo ambiguidades. Tu não estavas por causa da vida nessa hora de sonhos. Eu estava por causa da vida nessa hora de te escrever.
Olhar o céu sem vestígios de limites é um bom exercício para nos limitarmos ao que temos. Tu não estás e esse é o meu limite.
[É quando anoitece que as estrelas podem ensinar com eficácia a permanecer na linha que o universo esboça e nós desenhamos (olharei hoje o céu estrelado para confirmar que o teu desenho não está ao lado do meu)]
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
08 Julho 2010
Acontecia o tempo não ser tempo de flores nem de cerejas embora à volta tudo parecesse florir e frutificar. Eu sabia que tu estavas e só faltava decidir o que fazer de ti - longínquo barco no horizonte mar cálido e azul perene até ao infinito do meu querer...
Porque tu estás aqui farei de ti um longo mergulhar que tudo leva ao mar sem nada esperar. Hoje tu serás a minha flor guardada o tesouro num lugar submerso. Assim te escolhi e escolher é uma forma de realizar.
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
07 Julho 2010
E às vezes esperavam por ele ao final das tardes gloriosas de Verão.
[Mas tu não estavas. Porque entre estar e não estar a diferença é apenas o que inventamos para modificar o curso natural das coisas.]
Amanhã escolho. Hoje sei que tu não estás. Julgo amanhã farei de ti uma flor.
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
terça-feira, 6 de julho de 2010
06 Julho 2010
Às vezes o universo inteiro é perturbado se alguma coisa estranha nele acordou. Fora eu um vento quente...! Passaria por ti para te respirar.
Mas é o universo inteiro todo em suspenso porque tu estás. E o universo inteiro todo em suspenso porque tu não estás.
Etiquetas:
Escrita. Datas. Tu.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
The Beggar Maid
Sir Edward Burne-Jones
Sir Edward Burne-Jones
Theseus in the Labyrinth
Sir Edward Burne-Jones
Sir Edward Burne-Jones
Obrigada!
Veio do aArtmus
Obrigada!
Veio do Contracenar
Obrigada!
Do Contracenar
Obrigada!
Dedicatórias
Todos os textos - À Joana e à Marta




