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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Antiga chama

Viaja comigo ao centro da terra
eu pego na tua mão e trememos na escuridão
viaja comigo ao centro da noite
após mergulharmos na cratera de um extinto vulcão
há que desenhar mistérios coloridos com as nossas mãos
e aí
numa paz ardente liquefeita toda em redor
seremos completamente nós
nesse dia viajante do tempo
e nos sons... nos sons que nos habitam
na penumbra iluminada dos nossos olhos
faremos descobertas
além do norte e do sul
e de qualquer outra direcção
revolveremos a terra
até à raíz do que somos
remontaremos a um tempo antes
para esculpir a terra
dos teus ideais
sem o desgaste rápido
das minhas utopias
ou falhas de emoção
nos meus carentes matizes

viaja comigo ao centro do dia
tu pegas na minha mão
vejo-te na luz e na sombra
gravo-te todas as cores
que ainda me vais ensinar

reencontraremos esses teus e essas minhas
raízes em nós noite e dia
sem repouso e sem sossego

viaja comigo ao centro da terra
com a chama interna à superfície
para acender outros corações
que batem adormecidos
e despojados de sonhos

iremos agora ou amanhã
iremos se vieres comigo
se não vieres não iremos
irei

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sentenças



O juízo estende-se ao longo da parede
à espera de ser devorado...
oscila entre o não e o sim
Na sua desconstrução há
lugar para um sim-não
e para um não-sim
mas na sua conclusão - não

Devo pronunciar-me
e o meu juízo é que
me pronuncia

Ao longo da parede estendem-se
negativas e afirmativas
na sedução de um sim/não
rompem possibilidades
e aqui mesmo a certeza
de um só possível - eu

Devo sentenciar-Te
e a minha sentença de ti
condena-Me a mim



Imagem: Robert Longo, Corporate Wars: Walls of Influence (1982)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Contas à vida

Burilar a palavra
eu subo a estrada e volto a descer

Burilar a palavra
eu termino a acta que volto a fazer

Burilar a palavra
o quanto me cansa e volto a querer

Destroçar a palavra
que nunca se alcança e destrói o ser

Condensar na palavra
toda a vã ficção e o inútil querer
mais do que é preciso menos faz-me falta
dito é interessante escrito irrelevante

Cem palavras amigas outras cem inimigas
vinte mil traidoras duas são leais
uma é indizível zero no silêncio
toda é emoção

Burilar a sensação
um guarda-chuva amarelo cruzou o meu olhar

The Beggar Maid
Sir Edward Burne-Jones
Theseus in the Labyrinth
Sir Edward Burne-Jones

Obrigada!

Veio do aArtmus

Obrigada!

Veio do Contracenar

Obrigada!

Obrigada!

Dedicatórias

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