Havia um céu um mar e um sonho. Também ele ou ela e uma fantasia. Pergunta-se então onde estaria aquele lugar de si que inventa a vida no instante em que segue a força da corrente. Olhavam-se e tudo sabiam deles no silêncio. À frente o tabuleiro de xadrez e as peças movidas calmamente adivinhando a escolha do outro antecipando demorando criando girando o artifício com a firmeza de um soberano que não se é. Não eram. Mas faziam-se no dominar do gesto do passo do acto da sua execução. Ocultavam a hesitação até que chegava o segundo no qual urgia avançar jogar a sério fazer acontecer a vida e o ser que nem sequer se conhece.Convidados a jogar sentados desafiados frente a frente recolhidos no vigor do raciocínio. A janela ao fundo da sala aberta ao mar suave de carícias nos rochedos beijava plácido areais amarelos cintilantes ao luar. Pesadas cortinas levitavam carregadas de magia poesia transparentes promessas de um amor. O jogo decorria indiferente. Ao canto dos olhos a brisa chamava lá fora era ver e sentir o cenário desejado fingiam consigo não ser prazer não confessado.
Então ele disse: "Deixa-me ganhar e mostro-te um paraíso". E depois ela: "Vale assim tanto um paraíso?". Mas era só jogar ao longo da noite movendo o jogo no sentido dos desejos. Ao canto da boca estava uma palavra não dita mas que os dois escutavam no tempo todo concentrados nos passos nos gestos decisivos. Já que a arte é fingir e fingir é arte no jogo delicado refinado rendilhado absorvido em tudo o que são.
O paraíso andava por ali sim escoava-se por entre as horas. Colado aos corpos imóveis sussurrava prometia desviava a atenção. Jogaram de olhos fechados na força da concentração ignorando todas as delícias que mais tarde poderiam ser conquistas e posses de vitória. Conheciam sabiam não existem paraísos mas só os que se inventam e esses têm portanto a sua hora. Agora sim depois não. Agora não depois sim. Depois do jogo antes não.
E ela soltou a mão. Desprendida uma depois a outra virou o jogo. De pé fez birra com prazer derrubou todas as peças estrategicamente colocadas no tabuleiro. Num só gesto e fúria deitou tudo ao chão. Solenemente virou a mesa e as cadeiras de pernas ao ar. E ele zangado: "Não sabes jogar." Mas ela começou a andar devagar pela sala. Foi até à janela. Aí parou olhando para fora. Metodicamente acendeu um cigarro e ponderou acerca do exterior paradisíaco: "Há uma falha qualquer aqui". E ele: "Que queres dizer?". E ela movendo o cigarro ardente riscando o ar: "Só jogo num mundo de pernas para o ar. Que tal? E ofereces-me um livro."
Foi quando ele disse: "Partida marcada. Amanhã à mesma hora".
Então ele disse: "Deixa-me ganhar e mostro-te um paraíso". E depois ela: "Vale assim tanto um paraíso?". Mas era só jogar ao longo da noite movendo o jogo no sentido dos desejos. Ao canto da boca estava uma palavra não dita mas que os dois escutavam no tempo todo concentrados nos passos nos gestos decisivos. Já que a arte é fingir e fingir é arte no jogo delicado refinado rendilhado absorvido em tudo o que são.
O paraíso andava por ali sim escoava-se por entre as horas. Colado aos corpos imóveis sussurrava prometia desviava a atenção. Jogaram de olhos fechados na força da concentração ignorando todas as delícias que mais tarde poderiam ser conquistas e posses de vitória. Conheciam sabiam não existem paraísos mas só os que se inventam e esses têm portanto a sua hora. Agora sim depois não. Agora não depois sim. Depois do jogo antes não.
E ela soltou a mão. Desprendida uma depois a outra virou o jogo. De pé fez birra com prazer derrubou todas as peças estrategicamente colocadas no tabuleiro. Num só gesto e fúria deitou tudo ao chão. Solenemente virou a mesa e as cadeiras de pernas ao ar. E ele zangado: "Não sabes jogar." Mas ela começou a andar devagar pela sala. Foi até à janela. Aí parou olhando para fora. Metodicamente acendeu um cigarro e ponderou acerca do exterior paradisíaco: "Há uma falha qualquer aqui". E ele: "Que queres dizer?". E ela movendo o cigarro ardente riscando o ar: "Só jogo num mundo de pernas para o ar. Que tal? E ofereces-me um livro."
Foi quando ele disse: "Partida marcada. Amanhã à mesma hora".





