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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Errâncias

Afinal o mundo dos homens e das mulheres era assim mesmo um lugar submetido à lei das compensações. "Dás-me isto eu dou-te aquilo" e a voracidade infernal e amoral de manter fantasias lucrativas por cima de toda a folha outonal. Alguns vinham dessa tradição kantiana a da pessoa como um fim em si mesmo mas isso já não se usava. Agora tinha muito mais sucesso o niilismo radical do salvar a face - ou a vã glória de mandar e dominar os sonhos de outrém por sua vez subjugado perante uma só possibilidade que fosse de galgar alguns degraus nessa quimera da ascenção social - incomoda diz-se um símbolo mais libertário menos de liberdade.
Olho o céu imenso digo-o as nuvens que passam deixando rastos de pequenas tempestades dizem que o tempo passa. À superfície a terra acidentada. Percorro-a com o olhar. O que se vê vem agora de uma outra perspectiva imbuída das imagens dos satélites. Que sonhos para sonhar os daqueles que hoje nascem? pergunto no suave cair das folhas lânguidas das árvores escassas perguntam que amanhã? Vi hoje uma rapariga e ontem era um rapaz pois nada disso importa traçavam um caminho. No bolso do casaco havia um GPS-Vida. Amanhã debaixo de um sol brilhante vou ver um senhor todo-poderoso dedo esticado sentença de morte nada disso importa. Há casas a construir. O vento é forte. Apanho os cabelos que me tapam a visão teimosos. Focos infecciosos na terra proliferam à luz do dia. Vi hoje uma mulher em luta nada disso importa entrar na epidemia ficar contaminada dizem que conta sim. Gostava de escalar uma montanha mas não tenho tempo. Fica para amanhã.

Aqui nesta janela há mar há esperança. Há a fronteira das primeiras chuvas. Estou no limiar assustador da tempestade. Ouvi hoje o ruído do trovão. Tudo parece estar bem. O mar é salgado. Posso pousar as mãos ao de leve no instante da formação das ondas. Sem as desmanchar. E se assim é tudo é possível.


The Beggar Maid
Sir Edward Burne-Jones
Theseus in the Labyrinth
Sir Edward Burne-Jones

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